O que é o modernismo. O que foi o modernismo? O que virá a ser o modernismo? Por quê modernismos?
A primeira e a segunda perguntas foram feitas muitas vezes ao longo dos últimos cinquenta anos.
A terceira pergunta, possivelmente formulada aqui pela primeira vez, implica a história que situa o conceito, ou os conceitos, num contexto em constante mudança.
Por fim, a quarta pergunta interpela as outras três, ao mesmo tempo que legitima o plural no título do colóquio.
As duas primeiras perguntas não tiveram, até à data, nenhuma resposta conclusiva. Não é previsível que venham a ter. O conceito de “modernismo” parece estar sempre em constante mutação, seja no que respeita ao tempo, ao espaço, ao assunto ou ao estilo. Há hoje tantas definições de modernismo, quer explícitas quer implícitas, quantas as áreas do saber ou os especialistas que escrevem sobre o que pensam que o “modernismo” é. As respostas que melhor satisfazem são as que estão conscientes das suas próprias limitações e deficiências, as que se apresentam como meras descrições provisórias, à espera de serem alargadas, desenvolvidas e apuradas. Daí a terceira pergunta. Longe de incitar à futurologia, a terceira pergunta lembra que a investigação está também situada na história, sujeita por isso a mudanças constantes. O discurso sobre o modernismo, ou sobre os modernismos, muda de cada vez que é posto em acção, e será necessariamente diferente daqui por cinquenta anos.
Na quarta pergunta reverbera uma preocupação ética, típica de uma era global de consciência multicultural. Aquilo que inicialmente pareceu ter surgido na primeira metade do século XX como sendo um fenómeno artístico-literário ocidental (se não marcadamente anglo-americano), razoavelmente limitado e razoavelmente definível, tem sido nos últimos temos objecto de ponderação rigorosa e reconceptualização ampla e variada, e consequentemente sujeito a diferentes tipo de revisão. O plural de “modernismos” é testemunho desta perspectiva.
Este colóquio marca a conclusão de uma projecto de investigação colectivo, intitulado Memória, Violência e Identidade: Novas Perspectivas Comparativas sobre Modernismos, e realizado no Centro de Estudos Sociais por investigadores do Núcleo de Estudos Culturais Comparados. O seu objectivo principal não é, no entanto, apresentar resultados concretos (embora isso também aconteça), antes criar um fórum para uma reflexão renovada e troca de ideias sobre um assunto muito controverso, e para debater uma vez mais as inúmeras implicações e ramificações de um conceito muito problemático. O colóquio reúne vários especialistas nacionais e internacionais, bem conhecidos pelo seu trabalho na área.
Programa
Sexta-feira, 3 de Junho
9.00 — Inscrições
9.30 — Sessão de Abertura
10.00 — Conferência
Moderadora: Maria Irene Ramalho (FLUC/CES)
Susan Friedman (U Wisconsin-Madison), “One Hand Clapping: Colonialism, Postcolonialism, and the Spatio/Temporal Boundaries of Modernism”
Debate
11.15 — Intervalo
11.35 — Sessão I: “Espaços e Fronteiras”
Moderador: António Sousa Ribeiro (FLUC/CES)
Helena Buescu (FLUL), “Modernity, Borders, and Crystallization”
Gualter Cunha (FLUP), “A Tour of Some Gardens of Modernism: From Coole Park to Eccles Street”
13.00 — Almoço
15.00 — Sessão II: “Regressos, Reflexões, Re-inscrições”
Moderadora: Maria Irene Ramalho (FLUC/CES)
Ana Luísa Saraiva (Es. Secundária de Tondela), “Inverting the Middle Passage: Richard Wright’s Return to Africa”
Catarina Martins (FLUC), “Textual Dis-solutions in the Modernist House of Mirrors”
Inês Pinto Basto (Doutoranda, FLUC/FCT), “The Fairest Mirror of All: Alberto Caeiro, Leopold Bloom and Jay Gatsby”
Paula Mesquita (UBI, Doutoranda, FLUC/FCT), “Playing the Part in the War Theater: Gender as a Battlefield in Cather and Faulkner”
Debate
16.40 — Intervalo
17h — Sessão III: “O Antes e o Depois”
Moderador: António Sousa Ribeiro (FLUC/CES)
Rosa Martelo (FLUP), “Previsions and Retrospectives”
Isabel Gil (UCP – Lisboa), “Stemming the Tide: Carl Schmitt and Ernst Jünger’s Reactionary Modernism”
Debate
18.20 — Intervalo
18.30 — Conferência
Moderador: António Sousa Ribeiro (FLUC/CES)
Vivian Liska (U Antwerp), “Making it Mean and Making it Matter: Modernism for the 21st Century”
Debate
20.30 - Jantar (opcional)
Sábado, 4 de Junho
9.30 — Sessão IV: “Outros Modernismos”
Moderadora: Isabel Caldeira (FLUC/CES)
Maria José Canelo (FLUC/CES), ";The Geopolitical Dimension of Modernism - Mexican Immigrants and Alternative Modernities"
Osvaldo Manuel Silvestre (FLUC), “Consequences of the Return of the Prodigal Son: Modernism and the Avant-garde in Portugal in the Light of Performance”
Teresa Cid (FLUL), “Lively Modernism(s): The Comic Strip as/and Modern Art"
Debate
11.30 — Intervalo
12.00 — Conferência
Moderadora: Isabel Caldeira (FLUC/CES)
Houston Baker (Duke University) “The American South: Modernism and Modernity in One United States Perspective”
Debate
Conclusões
Organização:
Núcleo de Estudos Culturais Comparados,
Centro de Estudos Sociais
Universidade de Coimbra
Local:
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Anf. III, 4º piso.
Data limite de inscrições no Colóquio: Sexta-feira, 3 de Junho.
Os interessados em participar igualmente no jantar de Sexta-feira, 3 de Junho, deverão inscrever-se até 27 de Maio.
|